I
Brancos na barba, brancos nas têmporas, os brancos que me dão ao não lembrar coisa ou outra da infância. Brancos em toda parte. De frente pro espelho, me olho e me sinto novamente adolescente a conhecer o corpo que se transforma, envelhece.
II
Já não conto primaveras. Me inverno.
III
O tempo me vence. Nem mesmo esse texto sairá na data que geralmente sai. Cada movimento fica levemente mais lento, mais calculado, mais caduco. Transito.
IV
A atual felicidade me constrange um pouco. Passado os passados, os quase 35 passados, supus tempos diferentes ao dia de hoje: alguma serenidade, uns tantos boletos a se pagar, um menino de colo que se alongaria a cada instante e outras tantas preocupações “de adulto”... Quem imaginaria que a felicidade não respeita nossos planos.
V
Celebro 35 Diegos. Animado fico pela animação dos que me rodeiam. Conversas, risos e um pouco de álcool para alegrar o aguardado dia que, em via sacra, vai de bar em bar em folia junina. No banheiro, inebriado de amor que desfoca a visão, me olho no espelho e me vejo novamente como um adolescente: jovem, vigoroso, risonho. Em plena noite de junho, primavero-me uma vez mais.
Um forte abraço,
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